Skin Life Chiado

“A sentir a carteira mirrar” . Foto de Sara Guia de Abreu

Não é fácil, no mundo das Sephoras e Perfumes & Companhia, encontrar pequenas lojas com marcas interessantes que não tenham aquela onda anos 90 da perfumaria atulhada de expositores onde as nossas mães iam (em podendo) comprar o batom e o perfume para o ano, forrada a espelhos com prateleiras e impossibilitando uma exploração sossegada. O conceito de lojinha de luxo também me dá arrepios — começo logo a pensar no pessoal com a arrogância da Sephora do Chiado (a sério, fazem castings para escolher quem faz a estereotipização mais rápida com base na roupa, revira os olhos com mais ar de enjoado, e açambarca amostras que deviam dar aos clientes para aquela loja específica? Filhotes, é só uma Sephora portuguesa bem localizada), e nos preços exorbitantes da Loja das Meias. 

Gosto de explorar novas lojas e venho relatar-vos a minha mais recente experiência. Há-de haver quem já tenha feito entrevistas aos donos e tenha fotografias todas pimp, e tenha recebido tratamentos ou produtos de borla para experimentar, mas eu prefiro falar da experiência de utilizadora comum, anónima, a quem não são dados quaisquer privilégios só porque tem um blog ou é famoso. 

Já passei muitas vezes à porta da Skin Life, já visitei muitas vezes o site deles, mas nunca cheguei a entrar. 

Achava sempre que não ia gostar da onda “sou do Chiado, tenho marcas exclusivas, portanto sou importante e melhor do que tu”. Sim, sou vítima, mas também culpada de preconceito. 

Um dia deu-me a louca e entrei. 

A loja é pequena, mas é arejada. É a melhor forma de explicar. A decoração é impecável, há espaço para circular, a quantidade de produtos não se torna numa nuvem de ruído visual, a variedade de marcas que não se encontram cá em loja é muito interessante — há velas, produtos de corpo, de pele, e maquilhagem. Também fazem makeovers e tratamentos de pele, por marcação. 

A iluminação é muito bonita, só não diria que é perfeita para testar cores de base. No entanto, têm um canto com um espelho iluminado onde, presumo, também fazem makeovers a pedido. E é só sair para ter luz natural. 

Os empregados são muito simpáticos MAS não perseguem a pessoa. E aí conquistaram-me. Fui cumprimentada com um “boa tarde” educado mas sem o scan cima-baixo-deixa-ver-se-tens-ar-de-pobre. Ou, se o fizeram, esperaram que eu estivesse distraída, o que é porreiro. 

Eu não estava vestida “à Chiado” — nem naquele dia nem sem ser para fazer alguma personagem —, e isso não devia importar, mas todos sabemos que é um factor importante lá na cabeça de alguns empregados de algumas lojas. Também não estava maquilhada por aí além. Mas não me senti julgada. 

Estava uma figura pública na loja — nitidamente cliente regular — e a conversa era muito casual e divertida sem ser reverente, mas quando me dirigiram a palavra não me senti mais nem menos do que a dita pessoa. E isso é bom, somos todos pessoas. 

Depois de me dizerem que, se precisasse de ajuda, era só chamar, deixaram-me em paz a explorar a loja sem me tentarem contar a história da cosmética a cada produto em que pegasse. OBRIGADA. 

Presumir que sabem o que a pessoa quer, que sabem mais sobre certos produtos do que quem entrou na loja, ou que venderão mais se andarem a perseguir o cliente são coisas que me incomodam de sobremaneira. A cena de entrar para comprar um corrector de olheiras e enfiarem-me 5 sombras, 3 pincéis e 4 bases no cesto não funciona comigo e normalmente saio sem comprar nada. Ou, se estou com tempo, começo a falar com a pessoa de ingredientes, tipos de aplicação e marcas que não há em Portugal e começo a ver a alma da pessoa a mirrar. Pode soar snob, mas funciona quando nos acossam. 

Experimentei uns testers e deambulei calmamente pela loja. Quando finalmente cedi à minha própria impulsividade, a senhora a quem pedi o produto foi buscá-lo diligentemente e perguntou simplesmente se eu já conhecia ou se precisava de ajuda para a aplicação. Prestável mas sem peneiras. Cinco estrelas. Tenho a certeza de que se tivesse alguma dúvida tinha efectivamente conseguido o esclarecimento de que precisava. 

Os preços, comparativamente com lojas online onde compro deste tipo de marcas com frequência, são um pouco mais altos — o normal para produtos importados, especialmente se exclusivos dum só espaço. Nada como comparar preços e entender se o imediatismo de sair da loja já com o produto vale a pena. Há quem não goste de esperar por encomendas, e quem não confie na internet. 

Há testers de tudo e os preços estão expostos. Discretamente, mas estão lá. 

Também têm loja online — o site em mobile precisa de ajustes, mas tudo é consultável. 

No geral, fiquei muito bem impressionada com a loja e com a experiência simples de a explorar. 

Aconselho uma ida à Skin Life, nem que seja para lavar a alma de preconceitos e encher os olhos com coisas bonitas. 

Skin Life . Rua Paiva de Andrade, 4–4A, Chiado, Lisboa 

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