coisas novas que fazem brilhar

não sendo pessoa de vídeos de “olháqui o qu’eu comprei”, nos últimos meses tenho, à força de coincidências e buracos negros da internet, redireccionado a minha atenção para marcas um bocadinho menos conhecidas (pelo menos para mim) e tenho encontrado coisas tão tão bonitas e interessantes que tive de partilhar. sem discriminar, também cá andam umas Natashas e umas Lisas 😉

a coisa mais especial é que, no que toca a boa parte das sombras, as marcas são europeias, o que poupa tempo de entrega, e paciência e dinheiro em alfândegas eheh.

se quiserem vídeos sobre alguma marca em específico, em que vos mostre os produtos, faça comparações ou até explique como pespego as cenas na cara, é só dizer.

clica para lista de produtos e links

Make Up Forever HD Skin foundation . up close and poresonal

anda tudo doido com esta base, por isso tive de fazer o meu próprio teste não-patrocinado.

apresenta-se como uma base com um acabamento muito natural, que se funde com a pele, numa fórmula ajustável de cobertura média a alta, acabamento semi-mate e muito duradoura (até 24 horas). e é indicada para peles normais, mistas e oleosas.
podiam ter usado o meu nome ao descrever as potencialidades da fórmula, certo?

pois que me enfiei numa Sephora, à procura da minha cor para vir experimentar para vocês.

já agora: pelo menos na Sephora onde fui não estavam disponíveis todas as cores para experimentar. as referências que a marca dá para equivalência de cores entre as diferentes fórmulas não resultou de todo (comigo): era tudo demasiado escuro. a base também parece oxidar (ou fixar com uma cor mais escura e alaranjada, como preferirem), portanto ao fazer o teste deixem passar uns minutos antes de tomarem a decisão. acabei por escolher a 1N15, que se revelou uma correspondência perfeita.

não falo disto há muito tempo, mas aconselho sempre a, em podendo, pedirem amostras para testarem uma base antes de se comprometerem com a dita. além de despistar incompatibilidades de pele e poderem ver como se porta na vossa vida, poupa nas desilusões, nuns dinheiros valentes, e no desperdício para o ambiente.

esta base está disponível em 30 cores e neste momento custa 40€ por 30ml.

terminados de fevereiro e março

mais uma dose de avaliações rápidas de produtos que, de facto, são usados até à última gota.

*link afiliado. 10% de desconto na More Than Beauty com o código FREEVOLOUS10

GRWM — os acontecimentos

hoje não vos trago soluções sagazes. estas são só perguntas, desgostos e pensamentos que se me saíram à frente da câmara enquanto me maquilhava, e dos quais procurei tirar algum sentido escrevendo este artigo.

o (óbvio) contexto

os tempos sempre foram complicados. não vou ficar aqui sentada sobre o meu privilegiado traseiro europeu e fingir outra coisa. admito também, desde já, que não estou ciente de todos os males do mundo, apesar dos meus míseros esforços para me manter informada. sei de vários, e sinto-me em iguais partes frustrada, irada e impotente para saber o que fazer para ajudar.

não costumo embarcar em visões bilaterais redutoras do mundo. bom e mau, quente e frio… muitos males já foram feitos a título de “fazer a coisa certa” (de acordo com quem?), e fazer mal aos outros – directa ou indirectamente, física ou emocionalmente, financeiramente, seja o que for – é um negócio muito lucrativo. por vezes parece ser o mais lucrativo. um negócio sempre em crescimento, que sabe a um rodopio de “mais, mais. mais”. alimenta-se do pequeno egoísmo e da mesquinhez das pessoas, dos seus medos e frustrações, e atiça-as com promessas vãs, o suficiente para as manter na roda do hámster, mas nunca tanto que queiram libertar-se.
mais do que outra coisa, mantém as pessoas suficientemente isoladas para não se darem conta do seu verdadeiro poder enquanto grupo. mas divago (como é costume).

já este mal… bem, este toca aqui mais perto – literalmente, para mim – e, sou franca, as possíveis consequências dos acontecimentos actuais estão a fazer uma festarola com a minha ansiedade. e eu nem sequer estou a ser directamente afectada pelo que está a acontecer…
são tantos sentimentos ao mesmo tempo, há tantas coisas sérias em que nos concentrarmos, tanto por que nos sentirmos responsável, impotentes ou zangados.

porquê fazer vídeos de beleza agora, então?

pode soar a história lamechas (e acho que já falei disto antes, quando a pandemia começou), mas os vídeos do YouTube ajudaram-me imensamente quando tive uma depressão em 2019.
sim, falo por um lado de fazer vídeos – coisa que não fui capaz de fazer durante um tempo, pelo que quando consegui voltar foi um importante marco, indício de uma melhoria da minha saúde mental. quando feito sem demasiada pressão, filmar e editar trazem-me alegria, e tenciono agarrar-me a essa alegria enquanto assim for.
mas, e sobretudo, lembro-me claramente do tempo em que os vídeos me proporcionaram um escape: no princípio, um voz de fundo amiga a falar de coisas simples e “normais” quando não conseguia concentrar-me; e mais tarde a sensação de estar finalmente a voltar a ligar-me ao conteúdo que via.
ajudaram-me efectivamente a manter-me fora da minha própria cabeça, fazendo-me sentir que havia qualquer coisa “normal” para a qual voltar, de certa forma. pessoas apaixonadas pelos seus ofícios e processos criativos sempre foram a minha cena.

como actriz, entretenho os outros. é esse o meu ganha-pão. e encaro esta ocupação como, sim, um serviço público. não é difícil transpor isso para os vídeos que faço por brincadeira.
se eu conseguir proporcionar esse pedacinho de escape, replicar esse sentimento de distração e companhia para nem que seja um espectador que está a passar por qualquer tipo de dificuldade, já valeu a pena.

e não esqueçamos que qualquer forma de auto-expressão pode ser um acto de contestação, capacitação, individualidade, assertividade, logo… liberdade. maquilhagem incluída.

e prontos.

sim, e

tudo isto para dizer que podemos ser muitas coisas ao mesmo tempo. podemos sentir muitas coisas ao mesmo tempo, algumas das quais colidem com ou contradizem outras, até. temos a sorte de não estar nas situações terríveis que testemunhamos todos os dias (e todas as outras ignoradas pela comunicação social), mas podemos ainda assim ter empatia e sentir o coração feito num oito. podemos viver as nossas vidas normais, soltar uma gargalhada descomplicada com amigos, e ao mesmo tempo sentir culpa, ou mesmo sentir um quê de catástrofe iminente (justificado ou não, não interessa. está lá).

podemos ralar-nos com o que se está a passar à vista de todos e ao mesmo tempo começar a compreender situações de que não nos apercebíamos, ou às quais, por quaisquer motivos, não prestávamos atenção. podemos ficar divididos entre acreditar num mundo melhor e constatar que todo o “progresso” que julgávamos ter feito é pouco mais do que fogo de vista… ou, quando muito, que assenta sobre fundações profundamente frágeis, à mercê de qualquer sopro. assim costumam ser as coisas mais preciosas.

detesto o whataboutism (ou, em tuga, o “sim, mas”). nega uma coisa a favor de outra. é inútil, já que as coisas não desaparecem só porque escolhemos ignorá-las ou tirar-lhes prioridade. nem nos devemos dar ao luxo de deixar de ver o contexto todo só porque nos debruçamos sobre um aspecto.

a verdade é que muitas muitas coisas no mundo já estavam mal. muitas muitas coisas estão mal ao mesmo tempo, e convém fazermos as pazes com essa noção.
esta é, sem dúvida, mais uma gota putrefacta na fossa séptica de desespero e escória humana. não é a melhor altura para aquelas hashtags de “fé na humanidade restaurada” se olharmos para o panorama completo.

é terrível assistir a tanta coisa horrível, sabendo que estamos só a molhar os pés num mar de repercussões, cheio de “e ses” desconhecidos a rastejar debaixo da superfície – muito menos me vou pôr com pretensões de achar que sei o que é de facto viver a coisa em si.
parece que os nossos corações são capazes de se partir infinitamente, e ao mesmo tempo parece que estão num ponto em que não aguentam nem mais um suspiro.

por um lado, entendo que não queremos sentir-nos assoberbados, e portanto é um mecanismo de defesa natural; por outro lado, algumas situações podem desafiar-nos a mudar as nossas perspectivas, o que, quando já estamos zangados, assustados e cansados, é um pedido e pêras.

por isso… uma abordagem “sim, e” parece-me muito mais equilibrada.

mesmo que não estejamos no meio da acção, sentirmo-nos assoberbados é o normal: pela onda de choque de algo novo contra o qual não podemos nada; pelo facto de tudo ser tão profundamente confuso e de não haver nem verdades absolutas, nem bem e mal absolutos, nem certo e errado absolutos em que possamos apoiar-nos, mas só as águas turvas da guerra, através das quais, devemos confessar com humildade, não conseguimos ver como deve ser; o sofrimento generalizado e sem fim, o luto, o desperdício de vidas, de potencial para fazermos melhor, para melhorar o que estava a correr bem; a antecipação sufocante das grandes e pequenas consequências, tanto as que estão a desenrolar-se como as que estão por vir; e ainda lidarmos com os nossos próprios vieses, desvendarmos o nosso próprio rol de ângulos mortos, as nossas falhas pessoais, e sentirmo-nos responsáveis e impotentes perante isto tudo.

queremos desligar para nos mantermos sãos e sentimo-nos mal quando o fazemos. queremos escolher uma coisa com a qual nos preocuparmos de cada vez e invariavelmente sentimos que deixamos o raio do mundo ficar mal.

sim, e.

somos muito complexos, cheios de contradições, e a maior parte de nós está a tentar fazer o melhor que pode com a informação e as ferramentas de que dispõe. e podemos aprender a fazer melhor.
permitir a nós próprios e aos outros ser-se vulnerável e bondoso deveria ser O Novo Corajoso, em vez de toda esta treta competitiva de macho, que se aproveita de e espezinha tudo o que se atravessa à sua frente, espezinhando até quem estivesse só na sua vidinha.
no meu mundo ideal, teríamos a humildade para admitir que cometemos erros (tanto em acções como em julgamentos), puxar da determinação para aprender com eles e fazer o nosso melhor para não os repetirmos, e defender briosamente quem quer que seja injustiçado. permitir-nos-íamos não tomar a bondade por fraqueza.

pá, até lá, às vezes tudo o que podemos fazer é respirar. e, sim, pespegar maquilhagem nas fuças.

tomem conta de vocês mesmos. e dos outros.

maquilhagem mencionada (já que “sim, e”):

Pat McGrath x Bridgerton

a paleta MTHRSHP Diamond of the First Water está à venda por 71€, por tempo limitado.
caidinha pelos vídeos do Instagram, tinha de experimentar em câmara na minha pele com textura e umas décadas de uso, sem filtros nem magias.

foi divertido experimentar as fórmulas muito especiais duma marca tão badalada, mas não foi uma viagem sem desafios.

as cores são muito bonitas e revelam-se na pele como aparecem na paleta. apesar de mais limitado, por causa da temática, ainda se conseguem alguns looks diferentes.

as sombras portam-se bem, esbatem-se com facilidade mas têm pigmentação, e podem intensificar-se com facilidade.
o mate escuro, Plum Regalia, não se deu muito bem com o primer que usei – o que é menos mal, porque raramente uso primer. não gosto de fixar o primer com pó porque acabo por criar mais textura e perder intensidade de cor nas sombras, mas cada um tem a sua técnica.
a sombra Astral (Regency Blue) é ao vivo muito mais seca/glitter solto e mais opaca do que pode parecer nas imagens. aconselho humedecer a sombra no pincel para aplicar com menos dispersão, e usar uma cola de glitter para estender a longevidade.
as cores rosadas têm a dose certa de pigmento e densidade para terem bastante pigmentação mas poderem ser usadas como blush. o acabamento semi-acetinado é um extra muito bem-vindo.
a sombra mais clara, Iconic Ingenue, é talvez a mais fraca do grupo: não tem muito brilho e acaba por dar um aspecto seco e textura à pele. em mim, não funciona como iluminador.

Usei o primer anti-idade da Urban Decay, o primer para glitter da NYX, o lápis Alcaline da Urban Decay, e o rímel Caution da Hourglass.

Nota: este vídeo foi filmado antes da invasão da Ucrânia.
é uma situação profundamente perturbadora e tenho [temos, tantos] o coração em alvoroço e uma profunda sensação de impotência.
por isso, quase não publiquei este vídeo. tudo me parece meio fútil e desprovido de sentido.
no entanto, como pessoa que sofre de ansiedade crónica, sei o conforto que pode trazer um vídeo simples e leve em alturas em que a coisa parece demasiado para aguentar. reconheço-lhe a utilidade para muitos em tempos de aflição. já usufruí de muitas horas de escapismo quando a vida parecia demente. e, caramba, boa parte da minha vida dedica-se a prestar esse mesmo serviço.
portanto aqui está.
quem me segue no Instagram sabe que não falo só de arco-íris e laçarotes, batons e cremes. mas, para alguém que tropece neste post neste dia, saiba o que me esteve no peito.

geek and gorgeous

uma pequena marca húngara, fundada por uma mulher e baseada em ciência, com uma linha de produtos de fórmulas simples mas não simplistas. as texturas são das mais elegantes que experienciei com produtos deste tipo e nível de preços. descobri-os há mais de dois anos e ainda não me cansei.

apesar de na maioria dos contextos preferir fórmulas mais complexas, há na minha rotina espaço para alguns essenciais que esta marca oferece, e alguns extras para complementar certas faltas ou necessidades. se querem saber tudo o que acho de tudo o que experimentei, este é o vídeo para vocês.

produtos mencionados:

  • C Glow
  • A Game
  • Stress Less
  • Liquid hydration
  • HA5 . Rich
  • B Bomb
  • Smooth Out
  • A Pad

podem comprar directamente do site da Geek and Gorgeous ou da loja portugesa More Than Beauty Store.
como sabem, sou afiliada da More than Beauty, portanto se quiserem apoiar-me podem usar o código FREEVOLOUS10 no check-out para terem desconto nas vossas compras, e eu ganho uma pequena comissão.

terminados de Janeiro

novo ano, velhos (bons) costumes de usar até à última gota os produtos que tenho cá em casa. venham ver o que achei de todos e cada um 🙂

produtos mencionados:

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**produto enviado pela YesStyle com compromisso de menção (mas não compram a minha opinião) – link afiliado, usa o código FREEVOLOUS10 para teres desconto nas tuas compras no site.

***produto oferecido pela marca, sem compromisso de menção.

skincare que me desiludiu em 2021

há sempre aqueles produtos que não gostam de mim. acontece a todos e não são iguais para todos. normalmente polvilho os meus vídeos com algumas críticas menos positivas, especialmente no que toca aos terminados. pois que estes são os produtos que ao longo do ano nunca chegaram aos terminados porque está a ser muito difícil usá-los.

para cada testo a sua panela, o que não resultou para mim pode perfeitamente ser um vosso preferido, e podemos continuar a nossa amizade. isto não é para deitar abaixo os produtos ou das marcas ou das vossas escolhas pessoais, este é só o meu relato amargurado destes falhanços.

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