pele . favoritos 2020

Olá… Sim, já lá vai um tempo. Claramente deram imeeeenso por isso 😉

vamos lá saltar para os favoritos de tratamento de pele de 2020.

*Nota: todos os produtos mencionados funcionam lindamente com outros e com maquilhagem. de qualquer forma vou repetir-me muito nesse sentido, quase de certeza.

Se só vieram pelos links, saltem até ao fundo do artigo 😉

Caroline Hirons e os seus Kits

Eu já gostava dela e do seu humor seco e determinação, pela forma directa como fala, sem paninhos quentes, e, claro, por perceber muito destes assuntos. Mas no ano passado passei a admirar a forma como pegou no poder e influência que tem e os usou para melhorar as condições de vida de outras pessoas, tomou posições e chamou a atenção para problemas e questões sociais sem medo de ser acusada de estar a “sair da sua faixa de rodagem” ou, muito simplesmente, de que isso lhe afectasse o lucro. A frase “com grande poder vem grande responsabilidade” parece diluir-se demasiado, nos tempos que passam, mas nunca vai deixar de ser uma grande verdade.

Posto isto e indo aos cremes, a Caroline Hirons começou a fazer sazonalmente kits de produtos (que são muito caros, sim, mas ainda saem muito mais baratos do que comprar cada item em separado – tipo mais de metade do preço), criando rotinas completas dedicadas de forma muito abrangente a dois tipos de pele (oleosa/normal e seca/madura). Comprei o kit de Primavera para peles maduras e devo dizer que as texturas de todos os produtos são incríveis. Já seria de esperar que fossem fórmulas muito eficientes e elegantes, mas a experiência de as usar é de facto qualquer coisa fora da norma. Rainha das texturas, esta Caroline.

De todos os produtos usados, destaco:

  • Niod Multi Molecular Hyaluronic Complex – de séruns de ácido hialurónico uma pessoa já não espera grande coisa. São simples e funcionam e, desde que não esfarelem, a coisa dá-se. Vai a Niod e diz “agarra-me a proveta”. E oferece-nos um líquido leve, com vários pesos moleculares de AH mas também uns ingredientes mais vanguardistas, muito pouco viscoso, que desaparece rapidamente na pele sem deixar grande rasto… a não ser a pele elástica e de aparência preenchida e saciada, como se quer. Uau, pá. Uau.
  • Oskia Super C Capsules – um derivado de vitamina C e outros anti-oxidantes (entre outras coisas, claro) numa base de óleo ligeiro, que vem numa mini cápsula biodegradável de uso único (óptimo para ir de viagem, se isso voltar a acontecer nesta encarnação). Dão-me uma pele luminosa e nutrida, sem grande peso e oleosidade. Tenho usado este produto mais nas alturas em que o ambiente ou a minha pele estão secos. Acho que este é o único produto da minha lista que tem fragrância/óleos essenciais. Eu gosto do cheiro – que não dura muito antes de desaparecer – e não me irrita a pele, mas é coisa a ter em conta.

— à data deste post, acabaram de sair os Kits de Inverno de 2021… infelizmente, por causa do Brexit, não enviam para a União Europeia. Esperemos que este problema esteja resolvido por ocasião dos kits de Primavera. Bu.

Séruns da Paula’s Choice

No grande espectro das coisas, os séruns desta marca são dos melhores investimentos que se pode fazer, ainda num nível de preços menos exuberante, sem faltar nada. Eles combinam em cada fórmula uma série de ingredientes bem estudados e outros mais inovadores em doses e concentrações que permitem uma grande optimização do produto final: entregam bons resultados em várias frentes ao mesmo tempo, num só frasco, e com fórmulas super elegantes.

Seria impossível tentar replicar os mesmos resultados com produtos de um só ingrediente (tipo The Ordinary ou Inkey List) sem sair mais caro (para o bolso, em termos de tempo, e potencialmente para a pele, porque não somos formuladores de cosmética e não sabemos o que estamos a fazer), e sem se ficar com uma pasta esfarelada na cara – os produtos de um ingrediente são úteis para colmatar certas necessidades pontuais, mas, para mim, não fazem uma rotina.

– e melhor! esta marca é das poucas que oferece muitos dos seus produtos em tamanho de viagem, o que dá a oportunidade às pessoas de testarem bem a coisa antes de se comprometerem financeiramente com o tamanho grande. Foi assim que fiquei viciada nestes meninos que se seguem:

  • Resist Anti-Aging Omega + Serum – um sérum com a textura de um creme/loção fluido, cheio de ingredientes que ajudam a reparar/manter saudável a barreira da pele. Alguns dos ingredientes são Omega 3 e 6, colesterol, e emolientes leves. Companheiro perfeito para retinóides, dias em que a pele se passa e temos de repensar a vida, ou rotinas mais simples dedicadas à hidratação.
  • Resist Anti-Aging Ultra Light Anti-Oxidant Serum – um sérum fluido feito de anti-oxidantes como resveratrol e coQ10, um derivado de vitamina C, muito leve e que é absorvido com muita rapidez, que me serviu lindamente no verão, com a pele mais oleosa.
  • Resist Anti-Aging Anti-Oxidant Serum – outra belíssima misturada de anti-oxidantes, derivados de vitamina C e emolientes numa fórmula que parece um óleo-gel (invulgar para a Paula’s Choice), que desliza na pele como um sonho e a deixa, à semelhança das cápsulas da Oskia, a pele luminosa, com uma textura suave e nutrida. Tem sido grande companheiro dos dias de ambientes secos ou pele mais seca.
  • C15 Super Booster – Ácido L-Ascórbico (vitamina C propriamente dita) numa base aquosa numa concentração de 15% é só dos ingredientes mais estudados e com mais efeitos benéficos comprovados para a pele. Claro que a Paula’s Choice tinha de ter a sua versão com mais uns pozinhos, de ácido Ferúlico, Vitamina E, emolientes apaziguantes e humectantes… Um líquido muito leve, é absorvido rapidamente e faz obviamente uma grande equipa com outros séruns.

— AL-A em base aquosa é o formato que – diz que – oferece melhores resultados, mas vai necessariamente oxidar rapidamente, por isso convém ter alguns cuidados, tipo não abrir o frasco sem precisar, não bombear a pipeta à maluca (sempre quis dizer isto), manter num sítio frio e escuro, e, pro tip, se der para partilhar com alguém em casa podemos conseguir acabar o sérum antes que escureça e se torne ineficaz.

a “réplica” surpresa da Geek and Gorgeous

(ok, podemos arranjar uma palavra para “dupe”?)

Uma pequena marca húngara que tem desenvolvido uma linha de produtos com fórmulas simples e acessíveis mas uns furos acima das linhas de produtos de ingredientes únicos. Estou a usar a niacinamida deles com muito gosto, mas não é dessa que quero falar hoje:

  • C Glow serum – adivinhem: um sérum líquido de Ácido L-Ascórbico numa base aquosa numa concentração de 15% com uns pozinhos de ácido ferúlico e vitamina E… pois. é ligeiramente mais viscoso do que o da Paula’s Choice, mas funciona sem problemas com outros produtos, e é uma fórmula menos complexa, com menos ingredientes calmantes mas tem tudo o que importa e… são 10,50€.

— oh, e vendem frascos de pipeta pequeninos para se decantar uma parte do sérum de cada vez, para se evitar abrir e expor tanto ao ar o frasco principal, que pode ser assim mantido no frigorífico, e potencia a durabilidade do produto. não é genial?

tive de ver qual era a cena com a Medik8

esta fronha não dispensa os retinóides e, este ano finalmente cedi às modas e comprei o Medik8 Crystal Retinal 6.

Momento geek: o retinaldeído (ou retinal) precisa apenas de uma fase de conversão (feita pela pele) para se transformar em ácido retonóico ou, como é mais comumente conhecido na sua forma mais poderosa, a tretinoína, que é o que a pele sabe depois usar.
O retinol está a duas fases de conversão, outros derivados e ésteres a mais fases de conversão. Quantas mais fases de conversão, mais terá a pele de trabalhar e “diluir”, vá, as moléculas, tornando-se portanto estas mais ligeiras para a pele –– os resultados demoram mais a ser tão visíveis, mas há menos efeitos secundários agressivos para a pele (e depois disso há as concentrações, outro factor com que brincar).

Posto isto… Ora e se houvesse um ingrediente que tem praticamente tanta eficácia como a própria da tretinoína, mas poucos ou nenhuns efeitos secundários? Isso seria espectacular, e, dizem alguns estudos preliminares, isso é justamente o retinaldeído. Em mim, devo dizer que não desiludiu. Tenho tido os efeitos de “manutenção” das peles que pretendo e não tive qualquer efeito secundário. O único conselho que dou é usar algo mais hidratante antes (ou depois, ou em ambas as instâncias) porque, apesar de ser um creme ligeiro, não deixa a pele com uma sensação de hidratação.

— conselho do costume: com todo e qualquer derivado da vitamina A, especialmente se é coisa nova na vossa rotina, comecem devagar, devagarinho e com calma e paciência. Vão aumentando a frequência de aplicação devagar, tendo em atenção a reação da pele, e o mesmo para subir de concentração ou mudar para um retinóide mais forte, e até para reintroduzir outros produtos mais abrasivos como ácidos. Danificar a barreira da pele significa parar tudo e, depois de a sarar, ter de voltar á estaca zero, portanto não serve de nada entrar a pés juntos. No caso da Medik 8, têm uma linha de retinol e esta de retinal, com intensidade 1, 3, 6 e 10.

o meu santinho protector

Eu sou pessoa que, por tudo e por nada, hiperpigmenta (sim, vou registar o verbo). Começa o sol mais forte e a minha pele fica 2 a 3 tons mais escura. Uma borbulha vai invariavelmente tornar-se uma mancha escura. A minha pele está perfeitamente a borrifar-se para o facto de eu estar a usar protector solar como deve ser, e como poucos usam.
Qual não é o meu espanto quando este verão não tive oportunidade de usar as minhas bases mais escuras… (não, não foi porque estive mais tempo em casa, nem porque deixei de ir de férias: eu no verão costumo trabalhar e manteve-se tudo igual, a saltar entre estúdios)

Foi tudo graças ao P20 Suncare For Kids SPF50. É o rei dos protectores solares, com todos os filtros certos (se querem aprender mais, recomendo que vejam o vídeo do Cyrille Laurent sobre este produto), uma protecção de UVA que bate tudo (normalmente é passada para segundo plano), é extremamente duradouro na pele e é resistente à água, e vem em embalagens de 100 e 200ml – como deviam todos. Além disso, é formulado sem potenciais irritantes desnecessários como fragrância, e em mim é transparente (consta que nas peles mais escuras também, mas não me compete estar aqui a largar postas de pescada sobre o que não sei em primeira mão…)

A desvantagem é que… é um creme. Deixa a pele luminosa e, se for oleosa à partida, dá uma sensação mais pesada. Pessoalmente consigo (e quero, porque vale a pena) dar a volta a isso: no Verão faço a minha rotina com produtos mais leves e não uso creme hidratante, e depois posso usar pós e maquilhagem mais matificante se quiser; no Inverno vario conforme os humores da pele, mas até agradeço a luminosidade que dá. A outra chatice é que só se consegue comprar na Amazon (Reino Unido e Alemanha), que é uma coisa que me dá engulhos.

No todo, os prós ultrapassam brutalmente os contras. Se há sol intenso e/ou exposição mais prolongada, é neste produto que recai toda a minha confiança.

informação baseada em ciência é o pão da alma

Neste dias de atitudes medievais (convenientemente tomadas a partir de super-ábacos de bolso através da magia negra dos raios invisíveis que fazem de tubos que transportam o vapor das opiniões e infectam o mundo com o seu hálito), é fácil cair-se em campanhas de marketing especificamente criadas para fomentar o medo e levar à compra e à fidelização pela ignorância e super-simplificação de coisas que são naturalmente complicadas e que assim parecem reconfortantemente (e erradamente) reduzidas a um 0 ou um 1.
Tipo “natural” ou “químico”.
Já estou cheia de urticária só de escrever isto, deve ser do 5G que tenho no protector solar.

Beleza “limpa” podia ter a ver com a sustentabilidade de toda a produção, obtenção de recursos de forma ética, transparência nas formulações, educação do público consumidor sem demonizar erroneamente ingredientes, inclusividade, e tratamento e remuneração justos de todos os envolvidos no processo. Mas não. Infelizmente, é uma tendência e um rótulo que foi tão esvaziado de significado que já, ora bem, é tóxico.

Convido-vos a abrir os corações e mentes para aceitar que podemos confiar na ciência e para aprender um bocadinho sobre a enorme escala de cinzentos em permanente mutação que são os ingredientes e formulações, regulamentação e testes; e a fabulosa fonte que são os dados que já existem e que estão disponíveis e que gente que percebe mais disto do que nós está disposta a explicar de forma mais simplificada mas nunca simplista ou redutora, sem demonizar ingredientes nem ceder a teorias da conspiração.

A Michelle da Lab Muffin Beauty Science tem um doutoramento em química e é educadora na área da ciência, cria vídeos super interessantes e cheios de informação bem sumarenta sobre tudo o que tem a ver com ingredientes de cosmética.

The Eco Well são um poço de sabedoria, entre os seus infográficos concisos que desmantelam mitos no Instagram e os artigos, vídeos e podcasts com entrevistas a especialistas da indústria (esteticistas, dermatologistas, formuladores de cosmética, etc.)

Em Português, descobri a Skin Minimalist (microbióloga), a Sara da Make Down, a Pele de Pêssego, a Pele que Habito, e o Escritório da Cosmética (todas estas contas são da área das ciências farmacêuticas, quase todas têm blogues e/ou canais de YouTube), e a Skincare Decoded (enfermeira).

agora os links todos, seus preguiçosos

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